Como e por que permanecer ativo durante a quarentena?

Escrito por Julia Murça

12 de maio de 2020

“Nós nos encontramos em circunstâncias notáveis ​​este ano. A pandemia do COVID-19 deixa clara nossa interconexão humana global e as responsabilidades que temos um com o outro. Não temos precedentes para seus desafios, mas sabemos que nossa melhor resposta depende do tipo de empatia global, cooperação e construção de comunidades que estão no coração do nosso movimento. ”
Katherine Maher, CEO da Wikimedia Foundation

Estamos vivendo um profundo despertar social e global neste momento. Talvez o maior desde a Segunda Guerra. O mundo vai vivenciar uma transformação profunda! Como se adaptar à essa nova era? Provavelmente, estilos de vida e sistemas sociais em todas as nações sofrerão mudanças em muitos aspectos. Algumas já começaram e considerando um futuro próximo onde já se fala de quarentenas intermitentes, somos confrontados com a pergunta: Como nos mantermos ativos e conectados ao meio ambiente, guardando uma distância saudável dos outros em nossa comunidade?

Talvez devamos seguir o conselho de Hipócrates, conhecido como o pai da medicina, a quem se atribui a citação: “Caminhar é o melhor remédio do homem”.

Podemos sair e caminhar. Sim!! Caminhar é o caminho!

As diretrizes atuais de saúde pública exigem que a pessoa mantenha uma distância física adequada de 1,5 metro dos outros. Supermercados, farmácias e outros estabelecimentos de serviços essenciais já estão adaptados à essa recomendação, embora ainda falte a muitas pessoas a consciência de preservar o outro…se aproximam mesmo assim.

Caso o COVID-19 gere mais ondas de infecção, como alguns prevêem, talvez seja necessário adaptar nosso estilo de vida por muito mais tempo, ao invés de adotar os cuidados recomendados apenas durante as próximas semanas.

Com isso em mente, é fundamental planejar nossos dias e atividades para garantir que possamos permanecer ativos. Devemos experimentar o exterior de maneira segura e saudável.

Frederick Law Olmstead, criador do Central Park de Nova York e pai da arquitetura paisagística moderna, afirmou que a natureza “é favorável à saúde e ao vigor” dos seres humanos, e que os espaços verdes urbanos são os “pulmões da cidade”.

Movimento é a chave para a saúde! Você pode caminhar em praticamente qualquer lugar e só precisa de um par de tênis. Sair e se mover não é uma idéia revolucionária, é benéfico! De fato, a pesquisa contemporânea mostra os muitos benefícios da atividade física rotineira para a saúde.

Não podemos arcar com os impactos de um estilo de vida sedentário em nossa saúde física e mental, especialmente o ganho de peso a longo prazo. O exercício regular, principalmente ao ar livre e em outros ambientes naturais, ajuda a construir sistemas imunológicos mais fortes.

Possíveis benefícios de uma dose de caminhada diária:

  • Reduz o risco de inúmeras doenças crônicas que matam centenas de milhares de pessoas a cada ano prematuramente: doenças cardiovasculares e derrames, pressão alta, diabetes tipo II, osteoporose e suas complicações, e um crescimento constante na lista de cânceres;
  • menor risco de depressão e declínio cognitivo associado ao envelhecer;
  • reforço imunológico conhecido, talvez através de alterações nos anticorpos e nos glóbulos brancos (leucócitos). Os leucócitos são as células do sistema imunológico do corpo que combatem doenças. Esses anticorpos ou leucócitos circulam de forma mais rápida para detectar doenças mais cedo do que antes;
  • absorção de vitamina D durante a exposição ao sol. O declínio na função imunológica atribuído à idade também está relacionado à diminuição dos níveis de vitamina D em idosos. Quando eles ficam mais em ambientes fechados, recebem menos sol e, portanto, produzem menos colecalciferol via radiação UVB. Além disso, à medida que a pessoa envelhece, a pele fica menos apta a produzir vitamina D. Para muitos, principalmente para os idosos, é uma boa medida avaliar junto a um profissional de saúde o uso de suplementação de vitamina D;
  • pode impedir o crescimento de bactérias com o breve aumento da temperatura corporal durante e logo após o exercício. Esse aumento de temperatura possibilita ao corpo combater melhor a infecção. (Isso é semelhante ao que acontece quando você está com febre);
  • o exercício diminui a liberação de hormônios causados pelo estresse. Como o estresse parece aumentar as chances de doenças, a redução desses hormônios atua de forma protetora;
  • possibilita a eliminação das bactérias dos pulmões e vias aéreas e com isso reduz a chance de se contrair um resfriado, gripe ou outra doença, ou o tempo de duração dessas enfermidades.

Nós nos beneficiamos do contato social. Os idosos, em especial, que são mais vulneráveis ​​ao COVID-19, sofrem com distanciamento físico pois isso alimenta os transtornos depressivos e de ansiedade.

Dan Burden, autor do livro maravilhoso ´Zonas Azuis´ relatou: “Minha mãe viveu 93 anos, dez anos depois que meu pai morreu aos 85 anos. O que a manteve forte foi o número de vizinhos que vinham visitá-la diariamente”.

Uma caminhada diária com distância segura pode fazer parte da manutenção do seu contato com o mundo. A recomendação geral é acumular um mínimo de 150 minutos por semana de atividade física – pense em 30 minutos, na maioria dos dias da semana – para colher os inúmeros benefícios à saúde física e mental. Infelizmente, muitas pessoas supunhem que isso significava frequentar academias de ginástica, inscrever-se em programas e aulas de ginástica e até caminhar dentro de casa, em shoppings e esteiras.

As pessoas mais saudáveis ​​do mundo, que vivem nas famosas zonas azuis, descritas por Dan Butter, mantêm estilos de vida onde se movem naturalmente. O referido autor não os viu se exercitando, mas obtendo movimento físico ao longo de suas rotinas diárias. Caminhar, andar de bicicleta, cortar madeira e jardinar não estavam na categoria “atividade física”, eram parte do tecido da vida simplesmente!

Será que o futuro trará de volta atividades como no passado?

A Gerontologia, que estuda o processo de envelhecimento humano, usa o termo ´longevidade´ para fazer referência ao indivíduo que ultrapassou os 90 anos e se mantém ativamente funcional.

Pesquisas indicam que a expectativa de vida média de uma pessoa tende a aumentar de dez a doze anos ao adotar os hábitos presentes nas zonas azuis que colaboram para isso.
Que tal copiar o estilo de vida que vai nos permitir ficar por mais tempo neste planeta? É possível observar os elementos em comum das pessoas mais longevas e saudáveis e aplicar em nossa rotina.

Então, vamos seguir os passos dos centenários!

A gravidade da pandemia do COVID-19 também pode nos apresentar um momento oportuno de mudança. Com academias e clubes de saúde fechados, talvez seja o momento de explorarmos a idéia de ajustar parte de nossas rotinas diárias, para incluir uma atividade tão simples quanto o caminhar.

Nenhum de nós pode levar mais do que algumas semanas de isolamento sem estar ao ar livre e ser ativo. Alguns voltarão a se exercitar na frente das telas de vídeo, mas isso não será suficiente para muitos.

Portanto, a longo prazo, devemos recorrer a atividades que nos mantenha em movimento, naturalmente. Caminhar, andar de bicicleta e jardinagem não são apenas boas opções e sim as melhores coisas que podemos fazer pela nossa saúde física e emocional.

Nossos parques, trilhas e espaços abertos sempre serviram como lugares onde as pessoas buscam descanso, paz e restauração. Durante este período de incerteza, esses locais são mais necessários do que nunca. Se na sua cidade os parques estiverem fechados, ande na rua mesmo e busque pelo verde!

5 maneiras de permanecer ativo, saudável e seguro durante a pandemia:

Seguindo o exemplo das mudanças naturais que Dan aprendeu nas comunidades originais das zonas azuis ao redor do mundo.

1. Ande em companhia de outra pessoa preservando a distância prevista.
Caminhar junto, mantendo com segurança seis pés de separação física, mas se reconectando totalmente ao ar livre e a qualquer ambiente natural disponível para nós.

2. Entre para um clube virtual.
Participe de um “clube” virtual para ficar conectado e conhecer novos amigos. O “Walking Book Club” e a página do Facebook da Blue Zones Life são uma ótima maneira de conhecer novos amigos virtuais, que compartilham seus valores e interesses, para quem domina o inglês. Procure algo parecido no Brasil.

3. Agende passeios.
Coloque no seu calendário ou configure um alarme no seu telefone para que você seja estimulado diariamente à essa prática.

4. Explore suas trilhas locais.
Encontre uma ciclovia na sua área e explore com a família.

5. Busque uma área externa que seja segura.
Passe 30 minutos fora (uma hora é melhor!). As pessoas que passam ao menos 30 minutos na natureza relatam melhor humor e bem-estar.

Seja um passeio a pé pelo bairro (onde você pode até ver vizinhos e acenar para os amigos que estão em suas varandas ou janelas), andar por uma rua arborizada, encontrar paz ao longo de uma bela orla ou pedalar por uma nova trilha, todas as opções prometem fortalecer seu coração, aumentar sua energia e melhorar seu humor.

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