Compulsão Alimentar: Pare de Sofrer com esse Problema

Escrito por Julia Murça

07 de novembro de 2017

BREVE RELATO

Só quem vive ou já viveu estados de compulsão alimentar compreende a força destrutiva desse processo.

Eu passei por isso por algum tempo e, apesar de ter sido muito difícil, hoje eu agradeço, porque só assim pude compreender o que as pessoas que tem essa dificuldade passam.

Dos 18 aos 23 anos eu queria ser magra. Eu já era magra, mas queria ser mais magra. Experimentava todo tipo de dieta e desistia. Dieta da Lua, dieta da sopa, dieta do arroz integral.

O fim da dieta sempre culminava em uma desastrosa queda, momento que consumia em excesso todos os alimentos dos quais tinha sido “privada”.

A propósito, o que marca as dietas extremas é o desequilíbrio. Em um momento, grande restrição, no outro, compulsão.

Às vezes ficava 1 mês sem comer nada de açúcar e depois comia 20 brigadeiros de uma vez. Depois do exagero, era arrastada para o buraco da autopunição, temperado com culpa.
Até meus 29 anos minha vida alimentar era assim. De altos e baixos, sem consistência.

DEPRESSÃO

Nunca ninguém soube disso. Resolvi compartilhar com você essa parte da minha história pois acredito que possa servir para muitos que vivenciam isso e não sabem como sair.  Um pouco antes de ir para Austrália, comecei a tomar medicação para a depressão. De acordo com o diagnóstico, era uma depressão leve, mas na prática, era bem pesada para mim. Não tinha vontade pra nada, só queria dormir.

Nesta época, estava trabalhando muito e sem tempo para me cuidar de verdade. A medicação me ajudou a recuperar minhas forças, consegui retomar os esportes e também me ajudou na mudança do Brasil para Austrália.

Após algum tempo morando na Austrália, comecei a me sentir melhor e resolvi retirar o medicamento. Fiquei bem por um tempo, mas comecei a comer demasiadamente, inclusive coisas que nunca fizeram parte da minha rotina alimentar.

Essa compulsão alimentar se tornou cada vez mais grave.

SOBREPESO

Quando eu vi, já estava com quase 10 quilos acima do meu peso normal, fiquei assustada. Foi muito rápido. Pra falar a verdade eu nem vi acontecer.

Quando me vi naquela situação, senti culpa e impotência. Como eu tinha deixado aquilo acontecer comigo? O que estava acontecendo? O que eu tinha que fazer para mudar aquele resultado?
Tentava todos os dias iniciar uma dieta, sem açúcar e sem pão. Mas não conseguia, estava totalmente viciada.

Esse é o problema dos alimentos destrutivos que contêm açúcar e glúten, nunca bastam. É um círculo vicioso. Quanto mais você come, mais você quer comer.

COMPROMISSO

De manhã fazia o compromisso de não consumir esses ingredientes e, à tarde, já estava numa cafeteria comendo tudo aquilo que tinha afirmado que não consumiria naquele dia. Quanto mais chateada eu ficava, mas eu comia. Quanto mais comia, mais culpa sentia. Entrei de cabeça nesse processo destrutivo de comer compulsivamente e sentir uma enorme culpa e buscava mais comida para aplacar a culpa.

CUIDADO


Além das dietas, por vezes fazia uso de algum medicamento que prometia o emagrecimento milagroso. Fossem laxantes, chás 123 ervas, ou até mesmo os manipulados com altas doses de substâncias emagrecedoras que atuavam no sistema nervoso.

Os medicamentos garantiam que não houvesse nenhuma fome, em compensação, todo o corpo ficava alterado. Tinha crises de ansiedade, tremedeira, taquicardia, visão turva. Não conseguia dormir.

Muito cuidado com esse tipo de medicação. Além dos danos que causam a curto prazo, existem estudos que mostram que podem causar efeitos colaterais de médio e longo prazo, como quadro de ansiedade crônica e depressão.

Hoje penso o quanto esses medicamentos interferiram no quadro de depressão que atravessei anos depois.

BULIMIA 

Num determinado dia, comi uma enorme quantidade de alimentos destrutivos, de forma tão inconsciente que quando terminei estava insuportavelmente cheia. Coloquei o dedo na goela e vomitei tudo. Senti um grande alívio.

Isso se repetiu algumas vezes por cerca de 1 mês. Na última vez que forcei o vômito, senti muita dor ao vomitar. Meu estômago e esôfago arderam por horas. A dor me fez acordar. Me fez perceber que estava desenvolvendo um transtorno alimentar. Fui pesquisar. Queria entender os sintomas e as motivações.

De certa forma, queria saber que não estava sozinha no mundo, que outras pessoas também passavam por aquilo.

MERGULHO

Foi necessário um mergulho profundo para compreender o que estava acontecendo comigo naquele momento.

Esse transtorno alimentar foi o gatilho para que eu pudesse revisitar meu passado e me lembrar passo a passo da minha vida alimentar, das dietas sem fim, dos remédios para emagrecer, assunto que eu tinha colocado no baú do sótão.

Desse mergulho, muita coisa boa surgiu. Uma das coisas que veio à tona foi a necessidade de ser perfeita. E o quanto essa necessidade me escravizava em várias áreas da minha vida. No relacionamento comigo mesma, nos meus relacionamento exteriores, no trabalho.

EFEITOS COLATERAIS DA PERFEIÇÃO

Descobri que era importante melhorar sempre, mas eu não me permitia errar e, nessas idas e vindas, acabei percebendo que a perfeição era na verdade sinônimo de estagnação. Somos juízes muito duros conosco.

Não nos julgamos apenas uma vez e pronto. Nos julgamos inúmeras vezes com sentenças duras e perpétuas.

Percebi como essa busca pela perfeição se manifestava no corpo e na alimentação. Eu queria que a minha alimentação fosse perfeita. Mas se por acaso eu escorregasse e comesse alguma coisa fora do plano, eu queria comer tudo que eu encontrasse pela frente.

ASPECTOS DA COMPULSÃO ALIMENTAR

PSICOLÓGICO: O ponto aqui é buscar ajuda para compreender qual a falta que a comida está tentando preencher. O auto-conhecimento através de terapias e práticas espirituais foi o caminho para mim.

A minha mensagem para você que vive isso hoje é trazer um questionamento. A intenção é que você questione qual o sentido da comida na sua vida.  O que ela representa pra você? Como você se vê diante dela? Como é sua relação com ela?

Quando você parar de lutar, de sofrer, de girar em torno da comida e do seu peso, quando você conseguir se entregar e, finalmente, quando puder confiar no seu corpo, estará curada.

FÍSICO: Açúcar, glúten e derivados de leite são alimentos que geram compulsão alimentar. Primeiro porque viciam. Depois por serem calorias vazias, ou seja, não aportam nenhum ou quase nenhum nutriente para o corpo e, por isso, o corpo fica com fome.

MODERAÇÃO X EXTREMOS

Na minha jornada alimentar até os 29 anos não havia moderação. Eu era baseada por extremos. Ou tudo ou nada. E a vida não funciona assim. Nada é tudo ou nada sempre e completamente. Nada é absoluto, exceto tudo.

Compreendi que precisava colocar temperança na minha vida. A rigidez no âmbito da alimentação geralmente leva a compulsão posterior.

Por exemplo, toda vez que eu chegava numa festa e me propunha a não comer nada do que estava lá, eu passava tanta vontade que na próxima escorregada eu buscava exatamente o que tinha me privado na festa.

ESCOLHAS CONSCIENTES

Então, eu aprendi: agora, quando vou numa festa, primeiro eu lancho ou janto em casa. Dessa forma, já chego sem fome, o que me possibilita ter mais calma nas minhas escolhas. E calma e tranquila, pois estou alimentada, escolho uma coisa ou outra, bem especial, e me delicio com aquilo, e pronto.  Não passo vontade e não passo do ponto. Participo do momento, faço parte da turma, sem meter o pé na lama.

ESTRATÉGIA OU FALTA DELA

A palavra DIETA está associada a restrição, privação, regime. Soa como algo que foi ditado por alguém, e que irá nos privar de prazeres. Esse sentimento de privação gera dificuldades no processo de manter a dieta. E faz com que esta seja cumprida apenas por um curto período de tempo.

Além disso, quando saímos da dieta, temos a tendência a querer matar a saudade de tudo aquilo que nos foi privado. Geralmente, voltamos a nos alimentar da antiga forma, ou seja, nada mudou.
Dietas funcionam num sistema de privação/compulsão. Por um momento, a pessoa consegue se privar de alguns alimentos, mas quando sai da dieta, come esses mesmos alimentos de forma compulsiva. E é por isso que dietas não funcionam. O caminho da mudança é uma longa estrada. Dieta é uma longa estrada

RESSIGNIFICAÇÃO

É preciso ressignificar a palavra dieta dentro de nós. Dieta é um estilo de vida!

A palavra dieta vem do grego e quer dizer gênero de vida. Se ressignificarmos o sentido de dieta em nossa mente, podemos perceber que dieta é apenas a forma como você decide se alimentar. É uma decisão sua, não pode ser imposta. Você deve querer mudar seus hábitos alimentares por suas próprias razões. Seja em busca de saúde plena, seja para deixar de adoecer, seja para perder peso.

Mas qualquer dieta só vai funcionar quando você compreender as suas motivações para deixar  de consumir determinados alimentos e acrescentar outros.

CONHECIMENTO É LIBERDADE


Quando você conhece um pouco mais sobre você, fica mais fácil conhecer o que te faz bem e te faz mal. A chave da mudança está ai. Nutra-se do que faz bem!

Se você não compreende porquê não deve consumir refrigerantes, provavelmente irá conseguir ficar um tempo sem usar, mas logo irá ceder ao desejo. Quando você compreende que aquele líquido é um veneno e só te faz mal, você não quer mais.

Como despertar essa consciência?

Um caminho é tirar por um determinado tempo certo alimento, por exemplo, o açúcar. E depois consumir. Fazer isso de forma consciente, percebendo os efeitos da ausência dessa substância no corpo. Depois volte a consumir, prestando atenção em cada mordida, vendo como seu corpo se sente, como esse consumo impacta suas emoções. E depois do consumo, sentir o que acontece, como você se sente. Assim, devagarinho, você vai percebendo o que cada alimento causa em você.

DE PASSO EM PASSO

Para uma dieta funcionar, deve ser incorporada de forma gradual, com calma, de passo em passo, porém, de forma definitiva. Não devemos pensar que vamos deixar de comer determinado tipo de alimento e depois voltar a se alimentar daquilo. Devemos transformar nossa forma de ver o alimento.

Isso não quer dizer que nunca mais você vai comer um pedaço de pão, por exemplo. A ideia é que esse alimento não faça mais parte do seu dia-a-dia. Em ocasiões especiais você até pode se permitir comer um bom pão, com prazer e alegria de estar fazendo isso de forma consciente e esporádica.

Aí está a chave, compreender que não há retorno para o que não serve mais. É um caminho sem volta. Quando você toma consciência disso, você decide de forma definitiva que não quer mais causar dano a você mesmo. Ou seja, para de se machucar.

CONSCIENTIZAÇÃO

Antes de iniciar um processo de mudança de hábitos alimentares é preciso dar espaço para a conscientização. É importante entender que a alimentação industrial vigente causa danos a curto, médio e longo prazo. Para isso é preciso um pouco de curiosidade e pesquisa.

O maior problema hoje para fazer a mudança alimentar de forma consistente é um paladar viciado. Um paladar alterado pela industria alimentícia que valoriza o inútil, complexo e nocivo em depreciação ao que é útil, simples e saudável. Os alimentos estão cheios de substancias excitantes como açúcar, aditivos químicos e conservantes. Essas substâncias causam dependência e geram uma resistência psicológica e somática que dificultam a mudança para uma alimentação mais saudável.

Saiba quais são os Pilares para uma saúde vigorosa e implemente na sua vida visando o longevidade.

NÃO DESANIME!

De passo em passo e com a estratégia certa tudo é possível!

No início a mudança exige esforço, mas ao longo do caminho vai ficando mais fácil. É profundamente gratificante efetivar a mudança. Ganhamos foco, fortalecemos a nossa vontade e vemos a nossa saúde prosperar. Ganhamos força e coragem para vencer qualquer batalha.

Importante estar ciente de que o processo de adaptação nem sempre é agradável. A retirada dos produtos intoxicantes que viciam o corpo, pode trazer várias reações adversas. As mais comuns são dores de cabeça, perda de sono, tontura, enjôo. Todos esses sintomas são comuns ao processo de desintoxicação.

Quanto maior a consciência, maior a responsabilidade. O primeiro passo é sair da posição de vítima do sistema e assumir total responsabilidade sobre a sua saúde e alimentação. Não é fácil. Dá trabalho. Mas vale a pena! Pode confiar!

Assim que você começar a se libertar desse sistema disfuncional, e tirar elementos viciantes da sua dieta, você ficará mais consciente dos impulsos, carências e reações causadas por esse tipo de comida.

Um dos benefícios de se livrar de produtos industriais é cessar as compulsões causadas por esses alimentos.

REDESCOBRINDO O VERDADEIRO PRAZER!

Descubra o prazer de habitar um corpo saudável. Alimentos que antes você achava saborosos, após o tempo de readaptação, serão bem desagradáveis aos seu paladar. A conduta alimentar proposta é de mais vegetais, frutas e alimentos puros e ricos, o que não é nenhuma novidade. Quanto mais pessoas estiveram conscientes e saudáveis, maiores as chances de darmos um salto evolutivo como humanidade. Ou seja, você pode fazer a sua parte, neste grande movimento de ascensão.

ALERTA!

É possível que no inicio as pessoas mais próximas a você se oponham ao seu novo estilo de vida. Por que? Porque quando começamos a mudar para melhor, incomodamos… pois mostramos ao outro que a mudança é possível, mas que ele ainda não dá conta de mudar. Persista!

A longo prazo, o seu estado de saúde e vigor falará por si só. Permanecendo fiel à sua verdade e respeitando o tempo de cada um, você dá o exemplo.

Fique firme na jornada! É delicioso viver com saúde plena e energia!

PARA EFETIVAR UMA MUDANÇA CONSISTENTE EM RELAÇÃO À SUA ALIMENTAÇÃO

É PRECISO ATENÇÃO PARA OS SEGUINTES PASSOS:

  1. CHEGA! O primeiro passo é dar um “chega” verdadeiro.  Chega de sintomas de falta de saúde que você não quer mais. Chega de alergias. Chega de fadiga. Chega de dor de cabeça. Chega de intestino preso e/ou diarreias. Diga não para noites mal dormidas e manhãs mal humoradas.
  2. DECIDIR! Você está no ponto de se tornar a pessoa que você quer ser, diz Tony Robbins. É preciso tomar a decisão de transformar a sua vida através de seus hábitos alimentares.
  3. CONHECER! Tomada a decisão, é preciso buscar conhecimento sobre os alimentos, quais são construtivos, intermediários e destrutivos. Aprender quais provocam dano e inflamações. Assim você começa a programar seu cérebro para não mais querer veneno. Como? Continue comendo açúcar, por exemplo, mas toda vez que comer, diga a você mesmo, isso é veneno. É uma técnica muito boa! Devagarzinho o organismo começa a reagir a essa informação e o cérebro começa a fazer associações diferentes, entre açúcar e prazer para açúcar e doença.
  4. AGIR! Procure ajuda! No começo é melhor buscar ajuda de quem já trilhou esse o caminho. Procure também a ajuda de bons profissionais de saúde. Isso pode até ser difícil, porque hoje tem muitos nutricionistas que não se atualizam, e ainda balizam seus direcionamentos em mitos e inverdades. Assim como médicos que não conhecem nada de nutrição. Nesse sentido, busque alguém que seja um pesquisador e não só mais um papagaio ingênuo. E mais importante, busque alguém que vive aquilo que fala.
  5. ESTRATÉGIA! Agora que você já seguiu os passos acima, chegou a hora de buscar estratégias para efetivar a mudança. São estratégias simples que fazem toda a diferença.

ESTRATÉGIAS DE BATALHA:

  • Nunca fique desidratado. Quando temos sede, nos confundimos e sentimos vontade de comer.
  • Nunca fique com fome. Se isso acontecer você vai responder ao instinto de sobrevivência e simplesmente comer o que tiver pela frente.
  • Esteja atento ao estado emocional. Se ficar chateado e tiver vontade de comer algo, faça novas associações, como por exemplo, sair para dar uma caminhada, andar de bicicleta ou assistir um bom filme.
  • Tenha sempre algo saudável para comer, assim quando tiver fome não cairá em tentação de comer besteiras.
  • Quando for para festas ou reuniões familiares, alimente-se antes. Você já vai nutrido e não passa vontade. Pode até comer alguma coisa ou outra, mas não se enche de comida de festa que geralmente não é nada saudável.
  • Antes de suprimir alimentos que você está muito acostumado, adicione à sua dieta alimentos verdadeiramente nutritivos, como espirulina, clorela, whey protein de qualidade, folhas escuras, frutas, etc. Dessa forma, a retirada dos alimentos que não prestam é natural e menos dolorosa. Recomendo o livro Método João Gabriel que fala sobre isso com propriedade. 

Saiba que a saúde é um estado de equilíbrio dinâmico entre a herança constitucional e as influências ambientais. Habite um meio ambiente saudável e próspero, interna e externamente.

SAÚDE NÃO É SÓ ADOECER

A OMS define Saúde como “um completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não meramente, ausência de doença.”

Dito isso, responda para você mesmo: eu sou saudável?

É preciso dar ênfase à interdependência do corpo-mente-emoção-espírito e meio ambiente para compreender o conceito real de saúde plena! Não tem como separar as coisas… para estar bem da cabeça, você precisa estar bem no corpo. Para ter inteligência emocional, seu corpo e mente precisam estar equilibrados. O ser humano é um sistema complexo. Você é tudo isso junto: mente, emoções, pensamentos, corpo e espírito. Com o corpo saudável fica mais fácil equilibrar as outras áreas.

Desejo a todos este estado: Saúde plena!

Abraço!

Referências

 

Comentários