O Movimento Comida Local

O Movimento Comida Local

 

O que é?

O movimento “Comer Local” ou “Comida Local” significa basicamente consumir alimentos que tenham sido criados ou cultivados o mais próximo de onde você vive. Tem a ver, também, como esse alimento foi cultivado, levando-se em consideração a não utilização de agrotóxicos e pesticidas que detonam o alimento e o planeta.

Trata-se de um convite para reconexão com o alimento. Quando você se conecta com a origem do seu alimento, como foi cultivado e como chegou até você, provavelmente terá mais consciência do valor desse alimento.

Claro que nem tudo que faz parte da sua rotina alimentar você vai achar perto da sua casa. Maçãs, por exemplo, dificilmente são produzidas no cerrado, mas costumam fazer parte da nossa rotina alimentar semanal. Mas nesse caso, você pode considerar local, as maçãs cultivadas no Rio Grande do Sul, que seriam consideravelmente mais “locais” do que maçãs cultivadas no Chile, para quem mora aqui no Brasil. A ideia é fazer o seu melhor, no sentido de escolher os alimentos que foram produzidos mais próximos de você, na maior parte do tempo.

 

Produtores Locais

 

Esse movimento traz também atenção à quem produz o alimento. Sem os produtores, não seria possível nos alimentarmos nessa terra, a não ser que você cultive seu próprio alimento, o que não é viável para muitos.

Nesse sentido, a proposta é privilegiar e honrar os pequenos produtores regionais e, aos poucos, ir deixando de consumir produtos de origem industrial.

Trata-se de um resgate às nossas origens. No passado, onde predominava o sistema de agricultura local, existia uma maior percepção do valor do alimento em todo seu caminho – da semente à nossa mesa.

Sazonalidade

A proposta “Comida Local” também leva em consideração a sazonalidade do alimentos, mais uma vez o convite de conexão com a natureza. A sabedoria natural sabe quais alimentos são ideais para o homem a cada estação do ano e por isso produz determinados alimentos em determinada época, e deixa de produzir em outras. Essa sabedoria tem a intenção de nos atender em nossas necessidades nutricionais e também metabólicas.

Frutas cítricas são prevalecentes no verão pois nosso corpo precisa de frescor, vitamina C e digestibilidade, em razão do calor e mudanças rápidas de temperatura causadas pelas chuvas repentinas. As frutas são ideais para essa época.

Já no inverno, precisamos de comidas mais quentinhas que não esfriem o corpo, e é por isso que muitas frutas não são produzidas naturalmente nessa época do ano.  

Locavore

A proposta “Comer Localmente” tornou-se um movimento gastronômico e o termo “Locavore” ganhou o mundo. Locavore refere-se a pessoas que comem exclusivamente ou principalmente alimentos produzidos dentro de um raio de 240 km – em média – da sua casa.

5 Principais Razões Para Comer Local

 

 

  • Nutrição e Frescor

Os alimentos locais geralmente são mais frescos, mais saborosos e muito mais nutritivos do que os alimentos que fizeram uma longa viagem para chegar até você.

Devido à proximidade, a comida provavelmente foi colhida entre 24 a 48 horas. Isso é ideal, pois além de manter o máximo de nutrientes, mantém também a energia vital do alimento, nutrida pela água, terra e sol.  

O produto é colhido no auge de sua maturação, de modo que ele tem tempo suficiente para absorver mais nutrientes do solo e do sol. Como o produto amadurece naturalmente, o perfil de sabor se desenvolve em seu próprio tempo e tem um pico quando o alimento está completamente maduro. Mais sabor significa mais nutrientes!

Se a comida precisa ir muito longe, ela não é tão fresca quanto a comida local. Alimentos que viajam longas distâncias podem estar em trânsito por até duas semanas antes de chegarem às prateleiras dos supermercados.

Além do mais, quando o produto vem de longe, muitas vezes é colhido prematuramente para evitar que se estrague. Por ser colhido fora do tempo, o alimento passa por um processo de amadurecido artificial, isso afeta a densidade nutricional, fazendo dele um alimento menos nutritivo. Uma vez que o produto é colhido, não só deixa de receber nutrientes, como a densidade de nutrientes presentes começa a diminuir.

Essas culturas são artificialmente amadurecidas para que possam fazer a viagem de longa distância até os supermercados e, embora tenham boa aparência, não tem o mesmo sabor, por terem sido colhidas prematuramente.

Preservando a Natureza


 

Comer localmente e sazonalmente pode reduzir o gasto de energia e a emissão de dióxido de carbono em até 10%. Transportar alimentos por longas distâncias gera enorme quantidade de dióxido de carbono e requer toneladas de energia para refrigeração e armazenamento.

O consumo de alimentos locais e sazonais, além de economizar transporte e energia, elimina gastos desnecessários como embalagens e publicidade desnecessárias, que juntas refletem mais de 20% do custo total do alimento.

Além disso, dispensa intermediários, o que também aumenta o custo do produto.

Comer localmente incentiva a alimentação sazonal, em harmonia com a energia vital da natureza, que está se tornando um aspecto importante, ligado à qualidade dos alimentos para aqueles ligados à nova cultura alimentar que vem surgindo.

Comer localmente contribui para a economia local e aumenta a margem de lucro para os agricultores

Os agricultores geralmente recebem apenas centavos de cada real gasto em comida. O restante vai para o processamento, transporte, embalagem e outros custos de marketing. Os agricultores que vendem alimentos diretamente para os clientes locais, por outro lado, recebem o valor total de varejo de suas colheitas, o que é muito mais justo, levando-se em conta todo o trabalho que dá cultivar alimentos.

Os produtores que produzem para os clientes locais podem selecionar, cultivar e colher culturas de forma que garantam a qualidade, frescor, nutrição e sabor, focados nos alimentos, em vez de se concentrar em questões como embalagem, remessa e prazo de validade.

Comer localmente permite que as pessoas se reconectem

Muitas pessoas hoje não têm uma compreensão significativa de onde sua comida vem. Ao comer localmente, as pessoas podem se reconectar com os agricultores locais e, através deles, reconectarem-se com a terra.

A construção de um sistema alimentar sustentável requer que as pessoas desenvolvam uma compreensão profunda de dependência umas das outras e da Terra.

Comer localmente pressupõe o consumo de alimentos orgânicos

Os benefícios de escolher alimentos orgânicos são inúmeros para sua saúde. Uma revisão com 41 estudos indica que as culturas orgânicas fornecem níveis substancialmente mais elevados de nutrientes, como proteínas, vitamina C, ferro, magnésio e fósforo. Estes minerais estimulam o sistema imunológico, fornecem energia e melhoram o sabor da comida.

Além disso, comendo organicamente, protegemos nossas Gerações Futuras. A criança recebe quatro vezes mais exposição do que um adulto a pelo menos oito pesticidas amplamente utilizados no alimento. As escolhas alimentares que você faz agora afetarão a saúde dos nossos filhos no futuro.

A natureza agradece por sua escolha por alimentos orgânicos. O solo é a base da cadeia alimentar na agricultura biológica. Na agricultura convencional, o solo é usado mais como um meio para manter as plantas em posição vertical, para que possam ser fertilizadas quimicamente. Como resultado, as áreas de cultivo no mundo estão sofrendo a pior erosão de solo na história.

Outra questão importante é a proteção da qualidade da água. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) estima que os pesticidas (alguns carcinogênicos) contaminam as águas subterrâneas, poluindo a fonte primária de água potável da população.

A agricultura biológica ainda é baseada principalmente em práticas intensivas de mão-de-obra,  tais como capinar à mão e usar adubos verdes e coberturas agrícolas em vez de fertilizantes sintéticos para cultivar o solo.

A EPA considera que 60% de todos os herbicidas, 90% de todos os fungicidas e 30% de todos os inseticidas são carcinogênicos. Os pesticidas são venenos projetados para matar organismos vivos e também podem ser prejudiciais os seres humanos. Além de potencialmente causar câncer, os pesticidas têm sido implicados em defeitos congênitos, danos nos nervos e mutação genética.

Um estudo do Instituto Nacional do Câncer descobriu que os agricultores expostos a herbicidas têm um risco seis vezes maior do que os não-agricultores de contrair câncer.

O monocultivo é a prática antinatural de plantar a mesma cultura (normalmente milho, soja e trigo) em cada um dos seus respectivos lotes de terra, ano após ano. Essa falta de diversidade e rotação de culturas, que ocorre naturalmente na natureza, priva o solo de seus minerais e nutrientes naturais. As culturas individuais também são mais dependentes de pesticidas, embora alguns insetos tenham se tornado geneticamente resistentes a certos pesticidas.

 

Como posso apoiar o Movimento Comida Local?

 

  • Saiba quais são os alimentos da época na sua região e tente construir sua dieta em torno deles
  • Faça compras nas feiras orgânicas da sua região e conheça os produtores
  • Escolha restaurantes que fazem esforço para usar ingredientes locais e orgânicos sempre que possível
  • Faça uma viagem a uma fazenda local para aprender sobre o alimento que é produzido no local
  • Organize uma festa de colheita em sua casa, ou em sua comunidade, que inclua alimentos disponíveis no local e durante a temporada
  • Compre quantidades extras de sua fruta ou verdura favorita, quando estiver na estação, e experimente secar, conservar, enrolar ou preservar para uma data posterior
  • Cultive algo em casa, pode ser um simples tempereiro com salsinha, coentro e manjericão até árvores frutíferas, caso você tenha espaço
  • Fale com o seu representante local sobre a construção de uma horta comunitária, ou outras iniciativas de alimentos locais, com as quais você possa se envolver

 

Faça parte desse movimento!

Um abraço, com amor

Julia Murça